Os constantes acidentes ambientais provocados por vazamentos no rio Paraíba do Sul levantaram mais uma vez a preocupação de autoridades, que buscam formas para evitar novos desastres. Diante disso, uma proposta do deputado estadual, André Lazaroni (PMDB), já começa a ser colocada em prática pela secretaria de Estado de Ambiente e visa catalogar todas as indústrias dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, localizadas próximas aos afluentes e do próprio rio Paraíba do Sul. No entanto, para o ambientalista Aristides Arthur Soffiati, medidas como estas poucas vezes conseguem sair do papel e apresentar resultados satisfatórios.
Na nova proposta, já apresentada há um mês, o objetivo é a proibição do funcionamento ou instalação de empresas que trabalhem com produtos que contenham substâncias do grupo organoclorado (substância tóxica usada em inseticidas) na Bacia do Rio Paraíba, evitando assim acidentes ambientais como o provocado em 2003, pela Indústria de Papel Cataguases, considerado um dos maiores do país e da América do Sul. O vazamento atingiu o Rio Pomba, afluente do Paraíba e afetou diversos municípios das regiões Norte e Noroeste Fluminense.
Segundo o deputado André Lazaroni, catalogar as indústrias é fundamental. “A preservação ambiental e a segurança da população carioca e fluminense são de suma importância, principalmente quando se trata desta bacia que possui imenso valor para o povo no nosso estado”, destacou o parlamentar. Ele também falou que é importante conhecer melhor essas indústrias para que se previna possíveis desastres ambientais: “A radiografia destas indústrias é de muita importância para que se possa identificar os poluidores em potencial e prevenir possíveis desastres ambientais em um rio que é responsável pelo abastecimento de 90% da cidade do Rio de Janeiro”, informou o deputado.
De acordo com a Gerente de comunicação do INEA (Instituto Estadual do Ambiente) ,Telma Abreu,o INEA já vem desenvolvendo um trabalho para levantar as principais características das indústrias que compõem o trecho localizado próximo aos afluentes do Paraíba:”Ainda não foi finalizado porque algumas delas são compostas por várias unidades e cada unidade tem uma especificidade,tornando-se um trabalho bastante complexo”,destacou ela.
Entretanto ,o Inea fiscaliza e acompanha as operações do trecho do Rio de Janeiro, visando diminuir não somente a contaminação no rio Paraíba, como também os riscos de acidentes que possam causar danos ambientais naquela região:”É um processo contínuo e exige atenção em cada detalhe técnico”.disse Telma.
O ambientalista Aristides Soffiati está pessimista em relação a execução desta proposta. Segundo ele não é a primeira vez que propostas em defesa do Rio Paraíba são lançadas:”O governo estadual já criou 6 planos de recuperação da bacia que simplesmente ficaram no papel e a probabilidade que isso aconteça de novo é grande”,disse ele.
Ele destaca que o mapeamento dos afluentes pode até ser feito, mas dificilmente empresas que não aceitarem passar pelas mudanças serão retiradas das áreas de funcionamento: ”De todo o processo, o mapeamento é o mais fácil de ser feito e possivelmente vai ser a única coisa a ser feita, até porque essas indústrias possuem uma grande resistência econômica o que dificulta o governo do Estado a pedir sua retirada das áreas próximas dos afluentes” destacou ele.
O rio Paraíba do Sul têm sofrido constantemente com a poluição. Vários acidentes de grande proporção já ocorreram no rio, sendo o da Cataguases,o de pior gravidade.Segundo Aristides,o rio até se recupera dessas poluições agudas,mas o fundo do rio conserva marcas do acidente:”Se houver uma pesquisa de sedimentos no fundo do rio,veremos uma quantidade de marcas desses acidentes,o que faz o nosso rio ser um “doente com espasmos”,destacou ele.
Recentemente a bacia hidrográfica foi vítima de um vazamento de 10 mil litros do pesticida endosulfan no Rio Parapetinga,afluente do Paraíba do Sul,causando a mortandade de toneladas de peixes e capivaras, além do fechamento de diversas estações de abastecimento.
Fonte:
Folha da Manha
Categoria: Clipping
Arquivo :
Preservar-o-Rio-Paraba-do-Sul.pdf